quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

O horror no futebol: dois pesos, duas desmedidas

No dia 23 de outubro, no Maracanã, depois de graves provocações policiais e hostilidades da torcida do Flamengo, houve tumulto e embate feroz entre parte da torcida do Corinthians e a PM carioca.
Na ocasião, ninguém morreu, tampouco houve ferido grave. A imprensa, capitaneada pela Rede Globo de Televisão, tingiu de vivas cores o episódio, editou desonestamente os fatos e criminalizou antecipadamente a massa alvinegra.
O horror no futebol: dois pesos, duas desmedidas
Confusão marcou o clássico carioca no último domingo
Centenas de corinthianos foram insultados, agredidos, obrigados a se despir de suas camisas e humilhados. 31 foram encarcerados.
Abriu-se célere processo, houve um simulacro de condenação sumária (inclusive de pessoas que não haviam participado do conflito) e o grupo foi enviado ao inferno de Bangu.
Neste domingo quente, 12 de fevereiro, nas proximidades do Engenhão, houve verdadeira guerra, com uso indiscriminado de armas de fogo. De um veículo não identificado, foram disparados vários tiros contra torcedores do Botafogo.
Em imagens divulgadas nas redes sociais, vê-se que parte dos agentes da lei simplesmente se retira de um dos locais da ação bélica, liberando o ataque de torcedores do Flamengo contra os rivais.
O saldo é aterrador. Antes da partida, pais e mães corriam desesperados pelas ruas, procurando proteger seus filhos da barbárie.
O botafoguense Diego Silva dos Santos, de 28 anos, foi morto com um tiro no peito. Outros torcedores foram baleados. Oito outras pessoas saíram feridas, uma delas ainda em estado grave.
No entanto, não há prisão em massa, tampouco "auê" indignado e condenatório da mídia. O portal UOL praticamente ignorou os fatos no decorrer do domingo. A Rede Globo tratou as ocorrências como corriqueiras, em nacos do "Fantástico".
Não há força-tarefa dos juristocratas do Rio de Janeiro. Não há ônibus para transportar em ruidoso cortejo os criminosos detidos. Nada há, exceto a platitude dos fariseus.
Cabe ao cidadão reto de caráter refletir sobre estes fatos. Compare-os, antes de acreditar na imprensa que faz a cabeça da sociedade, elegendo mocinhos e bandidos. Compare-os antes de fiar-se na justiça que condena no vapt-vupt, implacável com alguns, benevolente com outros.
WALTER FALCETA